Em 60 segundos Ao longo das décadas, a Motocar tem orgulhosamente representado várias marcas. Hoje, deixamo-vos um pouco da história de 8 das marcas que representamos.
MOTOCAR - As nossas marcas
Yamaha — da afinação de pianos à conquista das pistas
A história da Yamaha começa em 1887, e não com uma mota. Nesse ano, Torakusu Yamaha reparou um harmónio avariado numa escola de Hamamatsu, no Japão, e decidiu construir o seu próprio. Nascia assim a Nippon Gakki, fabricante de instrumentos musicais que viria a dar origem à Yamaha Corporation. Os três diapasões do logótipo, ainda hoje, recordam essa origem. Durante mais de meio século, o nome Yamaha foi sinónimo de pianos e órgãos.
A viragem para as duas rodas dá-se no pós-guerra. Genichi Kawakami, então presidente da Nippon Gakki, procurava novos destinos para a experiência da empresa em metalurgia e produção de precisão. Em 1955 lançou a primeira mota — a YA-1, uma 125 cc de dois tempos apelidada “Libélula Vermelha” — e separou a divisão de motociclos numa empresa independente: a Yamaha Motor Co., Ltd. A YA-1 não tardou a vencer corridas, do Monte Fuji a Asama, fixando logo no primeiro ano a vocação desportiva que nunca mais a abandonou.
A partir daí, a Yamaha cresceu muito para lá das motas: motores fora de borda, motas de água, geradores, motores industriais, até robótica. Mas foi sobre duas rodas que construiu a reputação que conhecemos — décadas de títulos mundiais em velocidade, motocross e enduro, e modelos que marcaram gerações, das RD e RZ de dois tempos às V-Max, R1, Ténéré e à actual família MT.
O que esperar de uma Yamaha
Sejamos directos: a Yamaha não é a marca do preço mais baixo, e nunca pretendeu sê-lo. O que a distingue é a consistência — fiabilidade comprovada ao longo de décadas, um valor de revenda sólido e uma rede de assistência que faz diferença durante toda a vida da mota. É essa previsibilidade que justifica o investimento.
Yamaha na Motocar
A Yamaha é a marca com que a Motocar cresceu e a que melhor conhecemos. Somos uma oficina autorizada Yamaha, com técnicos formados e acesso a peças e diagnóstico oficiais. Quando compra uma Yamaha connosco, não está apenas a comprar uma mota — está a comprar o acompanhamento de quem trabalha esta marca há décadas, aqui em Vila das Aves.
QJ Motor — o gigante chinês que comprou a Benelli
A história da QJ Motor começa em 1985, com a criação da fábrica de motos de Wenling, na província chinesa de Zhejiang — a Zhejiang Qianjiang Motorcycle. Nos primeiros anos...
produzia scooters e motas de pequena cilindrada para o mercado interno. Em 1999 entrou na bolsa de Shenzhen, ganhando capital para crescer e exportar.
O momento que mudou tudo foi 2005: a Qianjiang adquiriu a Benelli, a histórica fabricante italiana fundada em 1911. Foi a primeira vez que um construtor chinês comprou uma marca europeia centenária — e abriu caminho a um modelo que se tornaria comum no sector. Em 2016, o grupo automóvel Geely (dono da Volvo, da Lotus e da Polestar) tornou-se o maior accionista da Qianjiang, trazendo recursos de engenharia de outro nível.
A marca QJMOTOR, tal como a conhecemos, é relativamente recente: foi lançada em 2020 como a marca premium internacional do grupo, vocacionada para média e alta cilindrada com design contemporâneo. O mesmo grupo fabrica para terceiros — desde 2019 produz as Harley-Davidson de pequena cilindrada (X350/X500) e estabeleceu acordos com a MV Agusta. É, hoje, uma das maiores estruturas industriais de motociclos do mundo.
O que esperar de uma QJ Motor
Importa ser honesto: a QJ Motor não tem o pedigree de uma marca europeia ou japonesa. O que tem por trás é uma das maiores e mais capazes fábricas do sector, partilhada com a Benelli. O resultado são motas bem equipadas, de estilo europeu, a um preço que as japonesas dificilmente igualam. É uma marca jovem nos mercados ocidentais — a rede e o histórico de longo prazo ainda se estão a construir — e é precisamente aí que a assistência local de quem vende faz a diferença.
QJ Motor na Motocar
Trabalhamos a QJ Motor para quem quer uma mota de média cilindrada com bom equipamento sem o preço de uma premium. Damos a cara pela escolha: acompanhamos a entrega, a manutenção e o pós-venda como fazemos com qualquer marca da casa.
Voge — a marca premium da Loncin, a fabricante dos motores BMW
A Voge é a marca premium da Loncin, fundada em 1993 em Chongqing pelo empresário Tu Jianhua. Ao longo das décadas, a Loncin tornou-se uma das maiores fabricantes de motos e motores da China — um dos chamados “quatro grandes” do sector, ao lado da Lifan, da Zongshen e da Jialing — e está cotada na bolsa de Xangai.
O que dá credibilidade à Voge é o currículo da casa-mãe. Há mais de quinze anos que a Loncin fabrica motores e modelos completos para a BMW Motorrad sob licença — primeiro os monocilíndricos das antigas F650/G650 e, mais recentemente, os bicilíndricos da família F800/F900. Por outras palavras: a mesma fábrica que monta motores para a BMW está por trás da Voge. É um detalhe que diz muito sobre o nível de exigência industrial envolvido.
A Loncin lançou a Voge em 2018, na feira de Chongqing, precisamente para atacar o segmento médio-premium dentro e fora da China — com melhores materiais, cilindradas maiores e acabamentos acima da gama Loncin doméstica. Modelos como a 525 DSX, a 900 DSX (claramente inspirada na BMW F900) ou os trail de 300 e 500 cc tornaram-se a face da marca na Europa.
O que esperar de uma Voge
A Voge oferece muito equipamento por pouco dinheiro, frequentemente com componentes de marca reconhecida. A base técnica é séria — partilha know-how com a produção BMW. O reverso da medalha, e dizemo-lo com franqueza, é que se trata de uma marca jovem: tem poucos anos de estrada para comprovar a fiabilidade a longo prazo. A nosso ver, é uma das propostas mais interessantes do segmento pelo equilíbrio entre preço e conteúdo.
Voge na Motocar
Recebemos e preparamos cada Voge com o mesmo cuidado que damos às restantes marcas. Para quem procura um trail ou uma adventure bem equipada a um preço acessível, é uma das primeiras que mostramos.
Kove — a chinesa que foi ao Dakar e ganhou etapas
A Kove (pronuncia-se “Kou-vi”) foi fundada em 2017 em Chongqing por Zhang Xue, ele próprio antigo piloto de todo-o-terreno. Ao contrário de muitas marcas chinesas que nasceram a competir pelo preço, a Kove escolheu desde o início o caminho da performance e da credibilidade desportiva — e fê-lo no terreno mais duro que existe.
A aposta no desporto definiu a marca. O projecto de rali arrancou em 2021 e, em 2023, a Kove tornou-se a primeira fabricante chinesa a alinhar no Dakar — com três 450 Rally de fábrica, todas a terminar a prova, uma delas no top-50. Em 2025 era já a segunda maior equipa de motos no Dakar, atrás apenas da KTM. E em 2026 conquistou as primeiras vitórias de etapa de sempre para uma fabricante chinesa na prova. Em paralelo, estreou-se no Mundial de Supersport 300 com a 321RR.
A gama reflecte esse ADN: a 450 Rally é uma verdadeira mota de rali adaptada para a estrada e matriculável; juntam-se-lhe os trail 500X e 800X, a desportiva 321RR e, mais recentemente, a motocross MX450. É uma marca que se construiu de fora para dentro — primeiro a competição, depois o produto de série.
O que esperar de uma Kove
A Kove é uma marca de nicho, e isso é uma virtude: é para quem quer desempenho off-road a sério e não um trail rodoviário pesado disfarçado de aventureiro. Sendo recente, a rede ainda é pequena e o histórico de longo prazo está a fazer-se — mas poucas marcas jovens ganharam tanta credibilidade técnica em tão pouco tempo.
Kove na Motocar
Para o cliente que vive o todo-o-terreno e procura uma mota leve, capaz e com pedigree de competição real, a Kove é uma das nossas recomendações. Aconselhamos com sinceridade quem é o público certo para esta marca — e quem não é.
Morbidelli — a lenda italiana das corridas que renasceu
A Morbidelli nasce em Pesaro, na Itália. Giancarlo Morbidelli fundou em 1959 uma empresa de máquinas para trabalhar madeira — mas a sua verdadeira paixão eram as motas. A partir de 1968, com o Reparto Corse, começou a construir máquinas de competição quase artesanais. Nos anos 70, a Morbidelli tornou-se uma potência das pequenas cilindradas, conquistando títulos mundiais de velocidade em 125 cc (e um em 250 cc) entre 1975 e 1977, com inovações como caixas de seis velocidades e refrigeração líquida.
Passado o auge desportivo, a marca foi-se apagando ao longo dos anos 80. Giancarlo manteve viva a memória num museu em Pesaro, inaugurado em 1999. Com o seu falecimento em 2020, o museu fechou e a Morbidelli parecia destinada apenas aos livros de história.
O renascimento chegou em 2024: o Keeway Group — parte do grupo chinês Qianjiang, o mesmo da Benelli e da QJ Motor — adquiriu o nome Morbidelli e fundiu-o com a sua marca premium MBP (Moto Bologna Passione), sediada em Bolonha. A nova Morbidelli mantém um centro de estilo em Itália e apresenta uma gama de scooters e motas de 125 a 1000 cc, tendo como modelo de referência o cruiser desportivo C1002V.
O que esperar de uma Morbidelli
É importante ser claro, e não vendemos ilusões: a Morbidelli actual é uma marca italiana de nome, design e herança, com engenharia e produção do grupo Qianjiang. Não é a oficina de Giancarlo dos anos 70. O que oferece é a combinação de estilo e história italianos com a capacidade industrial chinesa, num segmento de preço acessível — e, bem entendida, essa combinação tem valor.
Morbidelli na Motocar
Para quem é sensível ao design e à herança italianos sem querer o preço de uma marca premium europeia, a Morbidelli é uma proposta com personalidade. Mostramos-lhe a mota e contamos-lhe a história tal como ela é.
Benda — a chinesa que faz cruisers com quatro cilindros em linha
A Benda é uma fabricante chinesa jovem, com sede em Hangzhou. A marca, tal como a conhecemos hoje, consolidou-se a partir de 2016, quando reorientou a actividade para motas de maior cilindrada, sobretudo no segmento cruiser e custom. Estreou um roadster de 400 cc na EICMA de 2018 e, desde então, não parou de surpreender.
O que distingue a Benda da maioria das marcas chinesas é a engenharia própria. Em vez de recorrer a motores genéricos comprados a terceiros, desenvolve os seus próprios propulsores — incluindo configurações pouco habituais, como quatro e seis cilindros em linha. O modelo que a colocou no mapa foi a LFC 700, apresentada em julho de 2021: uma “muscle cruiser” futurista com um quatro-em-linha de 676 cc, apresentada como o primeiro cruiser de produção chinês com esta configuração, pneu traseiro larguíssimo e componentes como travões Brembo e suspensão KYB. A versão Pro recebeu um Red Dot Design Award em 2024.
Desde 2022, a Benda distribui-se globalmente em parceria com o Keeway Group (do grupo Qianjiang), o que levou modelos como a Chinchilla e a Napoleon Bob a muitos mais mercados.
O que esperar de uma Benda
A Benda é uma marca de design e de personalidade — para quem quer uma cruiser diferente de tudo o que existe, com tecnologia actual. Sendo recente, ainda está a construir o seu histórico de fiabilidade e a sua rede; o lado positivo, que valorizamos, é que desenvolve a própria mecânica em vez de a comprar pronta. Não é uma mota para passar despercebido.
Benda na Motocar
Se procura algo que ninguém mais tem na estrada, a Benda é das marcas mais arrojadas que representamos. Ajudamo-lo a perceber se é a mota certa para si — com honestidade sobre o que é, e sobre o que ainda está por provar.
Macbor — design espanhol de Barcelona, produção asiática
A Macbor é uma marca espanhola, com sede em Barcelona, pertencente ao Grupo Motos Bordoy — um dos maiores operadores do sector em Espanha, com actividade de importação, distribuição e retalho, e que trabalha marcas como SYM, MV Agusta, Husqvarna e QJ Motor. O próprio nome “Macbor” brinca com “Mc” (filho de, à anglo-saxónica) e Bordoy.
A gama de motas Macbor tal como a conhecemos foi apresentada em 2017, com modelos de iniciação repartidos por famílias custom, naked e trail — Montana, Rockster, Shifter, Stormer. O modelo de negócio é claro, e a Macbor não o esconde: o design e o desenvolvimento são feitos em Barcelona e a produção é assegurada por parceiros fabris asiáticos, sobre plataformas fortemente adaptadas às exigências da marca. A marca reivindica ainda uma ligação a uma tradição motociclista espanhola de várias décadas.
Em Portugal, a Macbor chegou há poucos anos e organiza a gama por estilos — Adventure, Custom, Street e Classic — com forte presença nas cilindradas de iniciação (125) e médias.
O que esperar de uma Macbor
Para sermos rigorosos: a Macbor não é uma fabricante no sentido clássico — é uma marca espanhola que desenha, especifica e manda fabricar. A vantagem para o cliente é ter um produto pensado para o mercado europeu, com um distribuidor sólido por trás, a um preço competitivo no segmento de entrada. É uma boa porta de entrada no mundo das duas rodas.
Macbor na Motocar
Recomendamos a Macbor sobretudo a quem tira a carta e quer uma primeira mota com bom equilíbrio entre estilo, preço e simplicidade de manutenção. Explicamos-lhe sem rodeios o que está a comprar.
Keeway — marca europeia, fabrico chinês, ligação à Benelli
A Keeway abriu o seu primeiro escritório comercial na Hungria em 1999, com uma ideia simples: oferecer ao mercado europeu scooters e motas de pequena cilindrada bem desenhadas e mais baratas do que a concorrência. O fabrico esteve sempre a cargo da chinesa Qianjiang (fundada em 1985), pelo que, na prática, a Keeway funciona como a face europeia e a estrutura de marca e distribuição do grupo Qianjiang.
O passo decisivo foi 2005: ligada à aquisição da Benelli pela Qianjiang, a Keeway passou a partilhar tecnologia e design com a marca italiana, administrada a partir de Pesaro. Isso permitiu-lhe subir o nível de produto sem perder o posicionamento acessível que sempre a caracterizou.
Hoje, o Keeway Group é um “chapéu” que reúne várias marcas e responsabilidades: as motas Keeway, a distribuição da Benelli em dezenas de países, a Morbidelli (adquirida em 2024) e, também a partir de 2024, a distribuição da Benda. A gama Keeway concentra-se em scooters e motas de pequena e média cilindrada (até cerca de 600 cc), muitas com toques de design italiano.
O que esperar de uma Keeway
A Keeway joga claramente no segmento acessível — e não esconde isso. Não promete o acabamento de uma premium, mas entrega design cuidado e mecânica partilhada com a Benelli a preços de entrada. Para uma primeira mota ou uma scooter urbana, é uma proposta com bom custo-benefício, que conhecemos bem.
Keeway na Motocar
Para mobilidade urbana ou para quem dá os primeiros passos sobre duas rodas, a Keeway é uma das soluções mais equilibradas que temos. Acompanhamos a compra e a manutenção com o mesmo critério das restantes marcas da casa.







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